segunda-feira, 5 de julho de 2010
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
igreja perseguida


| A Igreja Perseguida na Índia | ||||||||||
| 22ª posição na Classificação de países por perseguição | ||||||||||
Localizada na região centro-sul do continente asiático, a Índia é delimitada ao norte pelo Himalaia, a cadeia de montanhas mais alta do mundo, e faz fronteira com Paquistão, China, Nepal, Butão, Bangladesh e Mianmar. A vasta planície central é caracterizada pela presença de três rios: Ganges, Indo e Brahmaputra. No extremo sul do país, uma grande região é ocupada pelo planalto do Decã. População A Índia abriga a segunda maior população do globo: mais de um bilhão de habitantes. Por volta de 2050, é provável que a Índia ultrapasse a China e se torne a nação mais populosa do planeta, com quase 1,6 bilhão de pessoas. Muitos indianos vivem em grandes aglomerados urbanos, sendo Mumbai (ex-Bombaim) o maior deles, com mais de 15 milhões de habitantes. Há, no entanto, outras dez cidades com populações superiores a um milhão. Nova Déli, com mais de 10 milhões de pessoas, é a capital do país. A idade média da população é 25 anos, e 31% dos indianos têm menos de 15 anos de idade. Com uma população tão jovem, o governo tem sérias dificuldades para fornecer educação, saúde e alimentação adequadas ao povo. Problemas como analfabetismo, proliferação de doenças e mortalidade infantil abundam no país. A Índia sempre foi uma nação extremamente religiosa e milhares de deuses são adorados em todo o país. O hinduísmo representa a maior parte da população do país, seguido pelos muçulmanos e cristãos. História Uma invasão ariana, ocorrida entre 1500 e 1200 a.C., foi responsável pelo início da urbanização. O budismo surge no país no século VI a.C., e o primeiro império hindu instalou-se no norte por volta de 321 a.C.. A invasão árabe ocorreu no século VII da era cristã, e os muçulmanos permaneceram no poder até as companhias de comércio surgirem em cena. A mais notável delas foi a Companhia Inglesa das Índias Orientais, que tomou o poder e dominou os muçulmanos, controlando a Índia a partir da metade do século XVIII. Após a I Guerra Mundial, a influência do Reino Unido diminuiu. Em parte, isto ocorreu devido à influência de Gandhi. A total independência do colonialismo britânico foi obtida em 1947, mas como não havia união entre hindus e muçulmanos, a região foi dividida em dois países: uma Índia dominada pelo hinduísmo e um Paquistão muçulmano. As péssimas relações e disputas territoriais entre os dois países resultaram em duas guerras entre eles, além de um conflito com a China. Economia O crescimento da economia nos últimos dez anos fez a pobreza retroceder no país. A economia indiana exerce um impacto sobre todo o mundo. A agricultura e a indústria são muito importantes: diamantes, joias e roupas são importantes produtos de exportação. Aproximadamente 34,3% dos indianos vivem em uma situação de extrema pobreza, com menos de 1 dólar por dia. A variada economia indiana abrange a agricultura tradicional e moderna, artesanato, uma ampla diversidade de indústrias modernas e inúmeros serviços. Os serviços são a fonte principal do crescimento econômico, responsável por mais de metade da produtividade do país, mas usando menos de um terço da sua força de trabalho. A agricultura é o que consome a maior porcentagem dos trabalhadores, cerca de 60%. Terrorismo Na madrugada de 26-27 de novembro de 2008, a cidade de Mumbai foi sacudida por tiros e explosões que deixaram 179 mortos. Gangues bem-armadas, formadas por jovens, atacaram dois hoteis de luxo, um restaurante, uma estação de trem e um hospital1. Em fevereiro de 2009, o governo paquistanês assumiu pela primeira vez que "parte" do atentado de Mumbai tinha sido planejado em território paquistanês2. O atentado foi realizado pelo grupo terrorista Lashkar-e-Taiba, grupo paquistanês que luta contra o domínio indiano na Caxemira. A Igrejavoltar ao topo O cristianismo está no país desde o ano 52. Segundo a tradição, o discípulo Tomé foi à Índia durante essa época e estabeleceu sete igrejas na região conhecida agora como Kerala, e outras em Madras. Ele foi martirizado e sua sepultura ainda está em São Tomé de Meliapor. Há três correntes do cristianismo na Índia: protestante (igrejas tradicionais), independente e católica romana. Os cristãos formam 2,33% da população; mais da metade deles é católica. Os protestantes também formam um grupo grande e se dividem em anglicanos, ortodoxos, batistas, presbiterianos e luteranos. Os independentes são igrejas que não estão filiadas às tradicionais, e incluem os pentecostais. São aproximadamente 13% dos cristãos. O nominalismo é o maior problema enfrentado pela Igreja, em grande parte devido à falta de treinamento e discipulado. Um dos melhores métodos de evangelização são as redes de rádio cristãs, que alcançam milhares de pessoas com a Palavra de Deus. Organizações e trabalhadores locais também têm sido muito bem sucedidos. A Associação de Missões da Índia (India Missions Association) coordena cerca de 50 agências evangélicas que atuam no país. A perseguiçãovoltar ao topo A tensão entre hindus, siques, muçulmanos e cristãos é alta. Há muitos relatos de ataques a igrejas, raptos, detenção e intimidação feitos por extremistas hindus. Essas ações são particularmente dirigidas aos líderes das igrejas. Oito Estados têm leis anticonversão, que impedem a conversão de hindus ao cristianismo. Mesmo assim, muitos dalits pobres têm se convertido. Os dalits formam a casta mais baixa da sociedade hindu. Eles são conhecidos comumente como "intocáveis", pois sua posição os torna indignos de serem tocados por outras pessoas de castas mais altas. Empregos e empréstimos governamentais são negados àqueles que se convertem ao cristianismo, e o monitoramento dos cristãos tem aumentado. No entanto, alguns casos recentes de perseguição tornaram-se públicos e resultaram em uma atenção maior do governo em proteger os direitos e liberdades dos cristãos. Grande parte da perseguição é realizada por alas radicais de hindus e muçulmanos, as quais têm oprimido, atacado e até assassinado cristãos. Em agosto de 2008, o assassinato de um líder hindu no Estado de Orissa e a falsa acusação de que cristãos teriam cometido o delito levaram a um massacre jamais visto. Cristãos em Orissa e, mais tarde, em Estados vizinhos foram alvo de incêndio criminoso, assalto, agressão física e até assassinato. Dezoito mil ficaram feridos e 50 mil pessoas fugiram de suas casas, abrigando-se em campos de refugiados do governo. Muitos ainda têm medo de voltar para suas vilas de origem e serem forçados a se converter ao hinduísmo. Cerca de 60 cristãos foram mortos e muitos dos que fugiram ainda estão desaparecidos. Um total de 4.500 casas e 151 igrejas foi destruído. O governo falhou em prender os criminosos e isso fez com que a violência atingisse as próprias autoridades. Um policial e um militar foram mortos ao tentar defender os cristãos de mais ataques. Em alguns lugares, a situação não foi normalizada. Ainda há refugiados que não têm para onde voltar, pois suas antigas propriedades foram tomadas. Essa não foi a primeira vez que as autoridades não reagiram prontamente à violência. Em abril de 2007, há poucas centenas de metros da casa do primeiro-ministro de Rajasthan, um grupo de extremistas atacou Walter Massey, missionário cristão, diante de sua família e das câmeras de televisão. Antes de se dirigirem à casa do missionário, extremistas do grupo VHP telefonaram para um canal de televisão e pediram que sua ação fosse filmada. Uma audiência indiana chocada assistiu às notícias que mostravam o pastor Walter sangrando por causa das agressões e sendo molestado pelos extremistas enquanto sua família, aterrorizada, assistia a tudo. Inicialmente a polícia se recusou a registrar uma queixa, fazendo isso somente depois de ser pressionada pela Comunidade Cristã de Jaipur e outras organizações. A maioria dos agressores pode ser identifica por meio do vídeo, entretanto, na queixa que a polícia registrou, está declarado que o pastor Walter foi atacado por homens não-identificados. Motivos de oraçãovoltar ao topo 1. A Igreja indiana possui uma longa história. Louve a Deus pelo impacto duradouro que as missões cristãs têm exercido no país. Ore para que a Igreja continue a fortalecer suas bases e sua atividade evangelística, desenvolvendo ainda mais sua capacidade de envio missionário. 2. Missionários cristãos enfrentam ameaças e perseguições constantes no norte do país. Ore pela proteção deles e peça provisão divina para as muitas viúvas de mártires cristãos. 3. A Igreja tem sido marcada com o derramamento de sangue. Ore para que o martírio de cristãos seja um forte testemunho para os indianos. Os casos de martírios são amplamente divulgados em todo o país, o que tem levado muitos à fé cristã. 4. Muitos radicais hindus opõem-se violentamente ao cristianismo. Ore para que ocorra o abrandamento da oposição hindu e para que o cristianismo ganhe a simpatia de líderes hindus influentes. 5. Ore pelas eleições gerais na Índia, que acontecerão na primeira metade de 2009. Que o governo escolhido dirija a nação segundo os valores de Deus. Fontes - Portas Abertas Internacional - Países@ - The World Factbook 2008 1 http://www.economist.com/displaystory.cfm?story_id=12708194 2 http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2009/03/13/ult1807u49183.jhtm Atualizado em 17/03/2009 | ||||||||||
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
pensamentos da (Eliana)
Que Deus não me deixe perder a vontade de ter grandes amigos , mesmo sabendo que com as voltas do mundo
eles acabam indo embora de nossas vidas.
que Deus não permita que eu perca a vontade de amar, mesmo sabendo que a pessoa que mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim.
Assinado:Eliana
eles acabam indo embora de nossas vidas.
que Deus não permita que eu perca a vontade de amar, mesmo sabendo que a pessoa que mais amo pode não sentir o mesmo sentimento por mim.
Assinado:Eliana
quarta-feira, 1 de julho de 2009
MISSÕES EVANGELICAS
MISSÕES EVANGÉLICAS (CC)
Podemos ler em I Pedro 2:5 Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Vamos examinar somente a primeira parte deste versículo. Trata-se, como sabemos, duma carta que Pedro não dirigiu a nenhuma comunidade em especial, mas a todos os que estavam disperses, a todos os eleitos segundo a vontade de Deus o Pai.
Portanto, esta carta também foi escrita para nós, e como destinatários da carta podemos dizer: “Nós também, como pedras vivas, somos edificados casa espiritual.”
Comecemos pela expressão “edificar, ou construir a casa espiritual”.
Para que serve uma casa?... Vejamos o que está por trás da semântica desta palavra.
Desde os tempos mais remotos que o homem sentiu a necessidade duma casa. Uma casa que fosse uma protecção contra a adversidade do clima, que fosse o símbolo da sua crença ou do seu poder em determinada região, que fosse elemento de defesa contra os seus inimigos e armazenagem dos seus bens. Nos nossos dias, alguns destes conceitos foram ultrapassados, outros continuam no nosso subconsciente, tendo adquirido maior importância os aspectos estéticos ou de conforto e bem estar.
No entanto, para se construir uma casa, é necessário um projecto. Mesmo nas casas mais simples e primitivas em que o seu proprietário era também o arquitecto, o engenheiro, e o construtor, esse projecto existia na sua imaginação. Primeiro tinha de pensar no que queria, para depois construir a sua casa.
Nos meus trabalhos de engenharia, que normalmente complementam os trabalhos dos arquitectos, tenho ouvido estes queixarem-se da dificuldade que por vezes têm em trabalhar para os nossos emigrantes, porque estes voltam normalmente com ideias que não se adaptam nem ao nosso clima nem aos hábitos dos portugueses.
Porque uns vêm da África do Sul e querem construir uma vivenda espaçosa e com cobertura quase plana. Outros vêm da Alemanha e querem um telhado muito inclinado, típico dos países frios, para aproveitar os sótãos. Outros querem uma vivenda estilo “maison” ....
O missionário é sempre levado a construir a nova “casa” de acordo com a sua experiência. Isso é natural e compreensível.
Sobre o assunto, assim se referiu o teólogo e psicólogo Professor Orlando Caetano: “Missionar é como construir um edifício. Quem vem de fora e constrói uma casa, constrói-a geralmente conforme o estilo das casas do país ou região da sua procedência”.
Quando um emigrante regressa a Portugal, com as novas ideias e novos hábitos adquiridos no país de acolhimento, a habitação que acaba por construir, é fruto do diálogo com o arquitecto, da adaptação das suas ideias à realidade nacional.
No entanto, no caso do missionário, por vezes tal diálogo à muito mais difícil.
O missionário, é sempre portador de determinada cultura que se manifesta através dos seus padrões morais, da sua liturgia e do seu comportamento.
Mesmo que alguns se esforcem por ultrapassar os seus condicionalismos culturais, nem sempre tal é possível, não só porque como todos nós, o missionário tem a sua própria personalidade, como pelo facto das organizações que enviam o missionário, e principalmente os crentes que contribuem para o manter, esperarem que construa uma igreja que seja como que uma “fotocópia” da igreja mãe.
E não é só esta a dificuldade. Portugal é um país onde o movimento protestante é relativamente fraco, com pouca experiência, e principalmente nas classes menos cultas, onde haja um significativo desnível entre a preparação cultural do missionário e a dos outros crentes, não é possível o diálogo que tenha correspondência ao dialogo entre o emigrante e o arquitecto no paralelo de ideias que tentei estabelecer.
Assim, em muitas igrejas protestantes, a população acaba por se acomodar, recebendo a mensagem de Cristo acompanhada por uma invasão de conceitos culturais, sujeitando-se alegremente aquilo a que já ouvi chamar de “colonização cultural”.
Se alguns aspectos dessas culturas importadas, se adaptam à realidade nacional, noutros casos penso que têm prejudicado o crescimento das igrejas protestantes em Portugal, pois o sistema que resulta na América ou na França, ou no Brasil, pode não resultar em Portugal.
No entanto o problema não é só do nosso pais. É também de África por exemplo, onde se nota que as Igrejas que têm mais afinidades culturais com o povo africano crescem muito mais que as igrejas europeizadas. No entanto, o caso mais típico que observei foi na Índia, na Igreja Batista de Bombaim. Os nossos irmãos batistas costumam citar muitas vezes o caso do missionário Guilherme Carey que foi para a Índia em 1800 e tal e durante os primeiros 30 anos nenhum indiano se converteu, até que a certa altura a sua mensagem começa a ser aceite... Este caso tem sido citado como um exemplo de persistência e fidelidade ao Senhor.
Depois do que observei na Índia, na Igreja Batista de Bombaim tenho uma opinião bem diferente. Penso que muitos dos nossos irmãos batistas do ocidente teriam dificuldade em identificar essa comunidade como uma igreja batista. Não me lembro se tinham órgão, mas lembro-me de que tinham era uma orquestra tipicamente indiana com os seus violinos e os seus instrumentos de percussão. Toda a liturgia era bem diferente do que estamos habituados a ver no ocidente.
Quando me dizem que a mensagem de Guilherme Carey só foi aceite pelos indianos 30 anos depois da sua chegada à Índia, penso que foi porque ao fim desses 30 anos ele já tinha adquirido a necessária preparação para apresentar a sua mensagem de acordo com a mentalidade dos seus ouvintes.
Mas então, qual a atitude correcta sobre o assunto? Se nesta passagem que lemos, Pedro não entra em mais pormenores, haverá outras passagem nas nossas bíblias que nos possam ajudar?
Vejamos o que Paulo diz em I Coríntios 9:19/23
Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais; e fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei; para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por meio de todos os meios, chegar a salvar alguns. Eu faço isto por causa do evangelho, para ser, também, participante dele.
Penso que muito podemos aproveitar da experiência desta igreja em Corinto.
Pela sua posição geográfica, Corinto era ponto de convergência de várias culturas, que alguns anos antes ninguém haveria de imaginar que se pudessem encontrar.
Judeus, gregos, romanos.... numa mesma igreja em Corinto?! Como seria possível juntar pessoas com diferenças culturais tão vincadamente diferentes, na mesma igreja?
Paulo tem a solução:
Ele falava para os judeus, falava para os gregos e falava para os romanos....
Vejamos qual a ideia que lhes quero transmitir com esta minha afirmação, dando particular ênfase à expressão “falar para”.
Vi há tempos na televisão um programa em que se comentava a estratégia da propaganda dos vários partidos políticos. Achei interessante, pois no fim do programa, pedem a um técnico em comunicação para fazer os seus comentários.... Comentários que foram muito negativos.
Dizia ele que os políticos se entusiasmam tanto na sua luta, que acabam por lutar entre si... falam entre eles e se esquecem do grande público, não aproveitando de forma útil o tal tempo de antena que lhes está destinado.
Penso que o mesmo se pode passar em religião. Várias vezes tenho ouvido os crentes dizer: “Ele deve ser um pregador muito culto... deve falar muito bem, mas eu não percebi nada do que ele disse”.
Tenho muito respeito pela cultura, mas por vezes confunde-se cultura com dificuldade de comunicação, ou dificuldade de identificação, cujo resultado é o afastamento do pregador daqueles que o ouvem.
A teologia, assim como qualquer outra ciência, tem os seus termos próprios. O mesmo acontece aliás com a medicina, ou a engenharia, ou a agricultura, ou a pesca. Mas os termos técnicos servem para facilitar a comunicação e não para a dificultar. Somente devem ser utilizados quando forem compreensíveis para a grande maioria dos ouvintes. Parece que as técnicas de comunicação aconselham uma certa identificação com as pessoas a quem se quer transmitir a mensagem.
Mas então, não foi isto que Paulo disse há quase dois mil anos?
Paulo fez-se judeu para com os judeus, contou-lhes a sua experiência como judeu que era, utilizando certamente referências à Velha Lei e linguagem só perceptível aos judeus.
Para com os que estavam sem lei, Paulo prescindiu da sua posição de judeu, prescindiu de toda a tradição para se identificar como gentio.
Para com os fracos na fé, o apóstolo Paulo que todos conhecemos, fez-se como se fosse fraco na fé.
E não somente Paulo... Temos também o exemplo de Jesus que nas zonas rurais empregou palavras mais simples e parábolas relacionadas com a vida do campo, e entre pescadores já a sua linguagem era um pouco diferente empregando exemplos que lhes eram familiares.
Será que por vezes nos falta a identificação com aqueles a quem pretendemos transmitir a mensagem do Senhor? Ou tentamos transmitir essa mesma mensagem por meios testados noutros países que nada tem a ver com a nossa cultura? Para seguir o método de Paulo, a transformação terá de começar por nós próprios, através duma integração cultural no ambiente que nos rodeia.
Mas voltemos à nossa passagem principal, à carta de Pedro. Dizia ele, que somos como pedras vivas ...
Só há relativamente pouco tempo é que descobri o verdadeiro significado desta metáfora que Pedro empregou.
Muitas vezes lia estas passagens em que somos comparados ás pedras duma casa e pensava. Bem, hoje já não construímos casas com pedra, mas isto corresponde aos blocos ou aos tijolos.
Era esta a ideia que eu tinha, até que certo dia visitei o mosteiro da Batalha e ouvi a explicação do facto das pedras estarem todas marcadas. A marca é da pedreira onde a pedra foi talhada e do responsável pelas suas características, tanto a sua forma como a sua resistência.
Só aqui é que eu compreendi a grande diferença entre um bloco ou tijolo dos nossos dias e a pedra a que Pedro nos comparou.
Mas será lícito realçar este pormenor? Será que era essa a ideia de Pedro quando nos comparou às pedras dum edifício?
Onde é que já ouvi falar nas diferentes funções das várias pedras dum edifício? .... Na pedra que os edificadores rejeitaram... Na pedra angular ou pedra de esquina.... Na pedra de fundação sobre a qual iria ser levantado o edifício?...... Pedro também, certamente que se lembrava destas expressões quando estava a escrever a sua carta.
Numa habitação dos nossos dias, pode-se partir uma parede, abrir uma passagem, retirar um ou mais blocos, sem afectar a segurança do edifício. No entanto, num grande templo construído de pedra, não é possível retirar qualquer uma das pedras sem afectar seriamente a segurança do templo, porque enquanto os tijolos nos nossos dias, só servem para preencher um espaço, pois o que aguenta com os pesos são os pilares e as vigas, já as pedras, pelo contrário, têm funções resistentes. Cada pedra aguenta com o peso das outras. Não foi o mesmo Paulo que na sua carta aos efésios lhes disse “...suportai-vos uns aos outros em amor”?
Os blocos e os tijolos dos nossos dias, são todos iguais, saíram todos do mesmo molde e podem ser escolhidos aleatoriamente para os seus lugares.
Uma pedra dum templo foi talhada para determinada função. Ela é diferente das outras. Ela é insubstituível na sua função. Há um lugar que lhe está destinado e que só ela poderá preencher.
Cada crente da Igreja de Cristo é diferente de todos os outros.
Certamente que todos temos ainda muito que crescer na nossa fé. Crescer sim, mas em que direcção?
Será desejável o crescimento em direcção a uma normalização dos crentes, a uma acomodação a padrões de comportamento que tendam a uniformizar tudo e todos?
Será que as pedras vivas deverão ser moldadas e acomodadas a uma única forma? A forma da nossa linha doutrinária ou a forma da nossa denominação?
Ou pelo contrário, será o crescimento em direcção à forma que o Grande Arquitecto entendeu ser a mais conveniente para cada uma das Suas pedras? Penso que essa unidade na diversidade é das principais características do genuíno cristianismo.
Ouvi já há alguns anos num Sínodo da Igreja Presbiteriana a afirmação dum Pastor visitante de que “a Igreja deve ser governada pela ditadura de Deus.”
Até aqui tudo bem... Penso que em princípio, todos concordamos com tal afirmação, mas como a poderemos pôr em prática? Onde está a voz de Deus para a podermos seguir? Estará nalgum “infalível”? Estará nalgum alto dirigente com títulos mais ou menos pomposos?
Parece-me que a responsabilidade de falar em nome de Deus, de ser o fundamento deste edifício a que chamamos Igreja Presbiteriana, é demasiado grande para que a possamos relacionar com uma pessoa, por mais consagrada que seja, e nessa opinião não estamos sós, pois muitas outras igrejas genuinamente reformadas também têm a mesma opinião.
Pensava no assunto no meu gabinete de trabalho, quando por acaso resolvi ligar o gravador com uma cassete dum coro evangélico. Eram vozes masculinas e femininas, vozes mais agudas ou mais graves, vozes desencontradas que se complementavam e formavam um majestoso coral. Talvez fosse a resposta do Senhor.
As discussões, por vezes acaloradas, nos sínodos e nos conselhos das comunidades, com várias opiniões, por vezes desencontradas, por vezes contraditórias, são o que mais se assemelha à voz do Senhor que por vezes não temos sensibilidade para compreender, pois procuramos, ouvir somente algumas vozes, perdendo a visão do conjunto.
Se somos diferentes uns dos outros, graças a Deus pelas diferenças se estiverem ao serviço do Senhor, se formos ferramentas nas suas mãos. Um carpinteiro não poderá trabalhar com 100 serrotes ou 100 martelos. É melhor ter meia dúzia de ferramentas todas diferentes.
Não vamos transformar em simples blocos sem personalidade, as pedras a que o Espírito do Senhor deu forma, deu inteligência, deu uma nova personalidade e preparou para determinada finalidade na Sua Obra.
São pedras diferentes. São pedras vivas que o Senhor talhou, que o Senhor preparou para a sua obra. Talvez a preparação que o Senhor lhes deu tenha, começado há muitos anos, talvez mesmo antes da vossa conversão.
A minha oração ao Senhor e o apelo que vos deixo é que ocupem os vossos lugares como pedras vivas, no grande templo que o Senhor tem em construção. Que estejam conscientes de que foram preparados para determinada função na obra do Senhor.
Tudo o que somos, não só nos nossos conhecimentos teológicos, como na nossa preparação espiritual e intelectual, a experiência adquirida através dos tempos, faz parte da preparação que o Senhor nos concedeu. Fomos talhados pelo Senhor, para a construção do grande edifício que é a sua Igreja. Mas mais do que isso, somos todos peças únicas.
Sem a colaboração de cada um de nós, ficará um espaço vazio que poderá afectar a segurança do edifício. Um espaço vazio que só tu, meu irmão ou irmã, poderás preencher.
Que o Senhor desperte em cada um de nós o verdadeiro zelo pela sua Igreja.
Podemos ler em I Pedro 2:5 Vós, também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
Vamos examinar somente a primeira parte deste versículo. Trata-se, como sabemos, duma carta que Pedro não dirigiu a nenhuma comunidade em especial, mas a todos os que estavam disperses, a todos os eleitos segundo a vontade de Deus o Pai.
Portanto, esta carta também foi escrita para nós, e como destinatários da carta podemos dizer: “Nós também, como pedras vivas, somos edificados casa espiritual.”
Comecemos pela expressão “edificar, ou construir a casa espiritual”.
Para que serve uma casa?... Vejamos o que está por trás da semântica desta palavra.
Desde os tempos mais remotos que o homem sentiu a necessidade duma casa. Uma casa que fosse uma protecção contra a adversidade do clima, que fosse o símbolo da sua crença ou do seu poder em determinada região, que fosse elemento de defesa contra os seus inimigos e armazenagem dos seus bens. Nos nossos dias, alguns destes conceitos foram ultrapassados, outros continuam no nosso subconsciente, tendo adquirido maior importância os aspectos estéticos ou de conforto e bem estar.
No entanto, para se construir uma casa, é necessário um projecto. Mesmo nas casas mais simples e primitivas em que o seu proprietário era também o arquitecto, o engenheiro, e o construtor, esse projecto existia na sua imaginação. Primeiro tinha de pensar no que queria, para depois construir a sua casa.
Nos meus trabalhos de engenharia, que normalmente complementam os trabalhos dos arquitectos, tenho ouvido estes queixarem-se da dificuldade que por vezes têm em trabalhar para os nossos emigrantes, porque estes voltam normalmente com ideias que não se adaptam nem ao nosso clima nem aos hábitos dos portugueses.
Porque uns vêm da África do Sul e querem construir uma vivenda espaçosa e com cobertura quase plana. Outros vêm da Alemanha e querem um telhado muito inclinado, típico dos países frios, para aproveitar os sótãos. Outros querem uma vivenda estilo “maison” ....
O missionário é sempre levado a construir a nova “casa” de acordo com a sua experiência. Isso é natural e compreensível.
Sobre o assunto, assim se referiu o teólogo e psicólogo Professor Orlando Caetano: “Missionar é como construir um edifício. Quem vem de fora e constrói uma casa, constrói-a geralmente conforme o estilo das casas do país ou região da sua procedência”.
Quando um emigrante regressa a Portugal, com as novas ideias e novos hábitos adquiridos no país de acolhimento, a habitação que acaba por construir, é fruto do diálogo com o arquitecto, da adaptação das suas ideias à realidade nacional.
No entanto, no caso do missionário, por vezes tal diálogo à muito mais difícil.
O missionário, é sempre portador de determinada cultura que se manifesta através dos seus padrões morais, da sua liturgia e do seu comportamento.
Mesmo que alguns se esforcem por ultrapassar os seus condicionalismos culturais, nem sempre tal é possível, não só porque como todos nós, o missionário tem a sua própria personalidade, como pelo facto das organizações que enviam o missionário, e principalmente os crentes que contribuem para o manter, esperarem que construa uma igreja que seja como que uma “fotocópia” da igreja mãe.
E não é só esta a dificuldade. Portugal é um país onde o movimento protestante é relativamente fraco, com pouca experiência, e principalmente nas classes menos cultas, onde haja um significativo desnível entre a preparação cultural do missionário e a dos outros crentes, não é possível o diálogo que tenha correspondência ao dialogo entre o emigrante e o arquitecto no paralelo de ideias que tentei estabelecer.
Assim, em muitas igrejas protestantes, a população acaba por se acomodar, recebendo a mensagem de Cristo acompanhada por uma invasão de conceitos culturais, sujeitando-se alegremente aquilo a que já ouvi chamar de “colonização cultural”.
Se alguns aspectos dessas culturas importadas, se adaptam à realidade nacional, noutros casos penso que têm prejudicado o crescimento das igrejas protestantes em Portugal, pois o sistema que resulta na América ou na França, ou no Brasil, pode não resultar em Portugal.
No entanto o problema não é só do nosso pais. É também de África por exemplo, onde se nota que as Igrejas que têm mais afinidades culturais com o povo africano crescem muito mais que as igrejas europeizadas. No entanto, o caso mais típico que observei foi na Índia, na Igreja Batista de Bombaim. Os nossos irmãos batistas costumam citar muitas vezes o caso do missionário Guilherme Carey que foi para a Índia em 1800 e tal e durante os primeiros 30 anos nenhum indiano se converteu, até que a certa altura a sua mensagem começa a ser aceite... Este caso tem sido citado como um exemplo de persistência e fidelidade ao Senhor.
Depois do que observei na Índia, na Igreja Batista de Bombaim tenho uma opinião bem diferente. Penso que muitos dos nossos irmãos batistas do ocidente teriam dificuldade em identificar essa comunidade como uma igreja batista. Não me lembro se tinham órgão, mas lembro-me de que tinham era uma orquestra tipicamente indiana com os seus violinos e os seus instrumentos de percussão. Toda a liturgia era bem diferente do que estamos habituados a ver no ocidente.
Quando me dizem que a mensagem de Guilherme Carey só foi aceite pelos indianos 30 anos depois da sua chegada à Índia, penso que foi porque ao fim desses 30 anos ele já tinha adquirido a necessária preparação para apresentar a sua mensagem de acordo com a mentalidade dos seus ouvintes.
Mas então, qual a atitude correcta sobre o assunto? Se nesta passagem que lemos, Pedro não entra em mais pormenores, haverá outras passagem nas nossas bíblias que nos possam ajudar?
Vejamos o que Paulo diz em I Coríntios 9:19/23
Porque, sendo livre para com todos, fiz-me servo de todos, para ganhar ainda mais; e fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivera debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei; para os que estão sem lei, como se estivera sem lei (não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo), para ganhar os que estão sem lei. Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por meio de todos os meios, chegar a salvar alguns. Eu faço isto por causa do evangelho, para ser, também, participante dele.
Penso que muito podemos aproveitar da experiência desta igreja em Corinto.
Pela sua posição geográfica, Corinto era ponto de convergência de várias culturas, que alguns anos antes ninguém haveria de imaginar que se pudessem encontrar.
Judeus, gregos, romanos.... numa mesma igreja em Corinto?! Como seria possível juntar pessoas com diferenças culturais tão vincadamente diferentes, na mesma igreja?
Paulo tem a solução:
Ele falava para os judeus, falava para os gregos e falava para os romanos....
Vejamos qual a ideia que lhes quero transmitir com esta minha afirmação, dando particular ênfase à expressão “falar para”.
Vi há tempos na televisão um programa em que se comentava a estratégia da propaganda dos vários partidos políticos. Achei interessante, pois no fim do programa, pedem a um técnico em comunicação para fazer os seus comentários.... Comentários que foram muito negativos.
Dizia ele que os políticos se entusiasmam tanto na sua luta, que acabam por lutar entre si... falam entre eles e se esquecem do grande público, não aproveitando de forma útil o tal tempo de antena que lhes está destinado.
Penso que o mesmo se pode passar em religião. Várias vezes tenho ouvido os crentes dizer: “Ele deve ser um pregador muito culto... deve falar muito bem, mas eu não percebi nada do que ele disse”.
Tenho muito respeito pela cultura, mas por vezes confunde-se cultura com dificuldade de comunicação, ou dificuldade de identificação, cujo resultado é o afastamento do pregador daqueles que o ouvem.
A teologia, assim como qualquer outra ciência, tem os seus termos próprios. O mesmo acontece aliás com a medicina, ou a engenharia, ou a agricultura, ou a pesca. Mas os termos técnicos servem para facilitar a comunicação e não para a dificultar. Somente devem ser utilizados quando forem compreensíveis para a grande maioria dos ouvintes. Parece que as técnicas de comunicação aconselham uma certa identificação com as pessoas a quem se quer transmitir a mensagem.
Mas então, não foi isto que Paulo disse há quase dois mil anos?
Paulo fez-se judeu para com os judeus, contou-lhes a sua experiência como judeu que era, utilizando certamente referências à Velha Lei e linguagem só perceptível aos judeus.
Para com os que estavam sem lei, Paulo prescindiu da sua posição de judeu, prescindiu de toda a tradição para se identificar como gentio.
Para com os fracos na fé, o apóstolo Paulo que todos conhecemos, fez-se como se fosse fraco na fé.
E não somente Paulo... Temos também o exemplo de Jesus que nas zonas rurais empregou palavras mais simples e parábolas relacionadas com a vida do campo, e entre pescadores já a sua linguagem era um pouco diferente empregando exemplos que lhes eram familiares.
Será que por vezes nos falta a identificação com aqueles a quem pretendemos transmitir a mensagem do Senhor? Ou tentamos transmitir essa mesma mensagem por meios testados noutros países que nada tem a ver com a nossa cultura? Para seguir o método de Paulo, a transformação terá de começar por nós próprios, através duma integração cultural no ambiente que nos rodeia.
Mas voltemos à nossa passagem principal, à carta de Pedro. Dizia ele, que somos como pedras vivas ...
Só há relativamente pouco tempo é que descobri o verdadeiro significado desta metáfora que Pedro empregou.
Muitas vezes lia estas passagens em que somos comparados ás pedras duma casa e pensava. Bem, hoje já não construímos casas com pedra, mas isto corresponde aos blocos ou aos tijolos.
Era esta a ideia que eu tinha, até que certo dia visitei o mosteiro da Batalha e ouvi a explicação do facto das pedras estarem todas marcadas. A marca é da pedreira onde a pedra foi talhada e do responsável pelas suas características, tanto a sua forma como a sua resistência.
Só aqui é que eu compreendi a grande diferença entre um bloco ou tijolo dos nossos dias e a pedra a que Pedro nos comparou.
Mas será lícito realçar este pormenor? Será que era essa a ideia de Pedro quando nos comparou às pedras dum edifício?
Onde é que já ouvi falar nas diferentes funções das várias pedras dum edifício? .... Na pedra que os edificadores rejeitaram... Na pedra angular ou pedra de esquina.... Na pedra de fundação sobre a qual iria ser levantado o edifício?...... Pedro também, certamente que se lembrava destas expressões quando estava a escrever a sua carta.
Numa habitação dos nossos dias, pode-se partir uma parede, abrir uma passagem, retirar um ou mais blocos, sem afectar a segurança do edifício. No entanto, num grande templo construído de pedra, não é possível retirar qualquer uma das pedras sem afectar seriamente a segurança do templo, porque enquanto os tijolos nos nossos dias, só servem para preencher um espaço, pois o que aguenta com os pesos são os pilares e as vigas, já as pedras, pelo contrário, têm funções resistentes. Cada pedra aguenta com o peso das outras. Não foi o mesmo Paulo que na sua carta aos efésios lhes disse “...suportai-vos uns aos outros em amor”?
Os blocos e os tijolos dos nossos dias, são todos iguais, saíram todos do mesmo molde e podem ser escolhidos aleatoriamente para os seus lugares.
Uma pedra dum templo foi talhada para determinada função. Ela é diferente das outras. Ela é insubstituível na sua função. Há um lugar que lhe está destinado e que só ela poderá preencher.
Cada crente da Igreja de Cristo é diferente de todos os outros.
Certamente que todos temos ainda muito que crescer na nossa fé. Crescer sim, mas em que direcção?
Será desejável o crescimento em direcção a uma normalização dos crentes, a uma acomodação a padrões de comportamento que tendam a uniformizar tudo e todos?
Será que as pedras vivas deverão ser moldadas e acomodadas a uma única forma? A forma da nossa linha doutrinária ou a forma da nossa denominação?
Ou pelo contrário, será o crescimento em direcção à forma que o Grande Arquitecto entendeu ser a mais conveniente para cada uma das Suas pedras? Penso que essa unidade na diversidade é das principais características do genuíno cristianismo.
Ouvi já há alguns anos num Sínodo da Igreja Presbiteriana a afirmação dum Pastor visitante de que “a Igreja deve ser governada pela ditadura de Deus.”
Até aqui tudo bem... Penso que em princípio, todos concordamos com tal afirmação, mas como a poderemos pôr em prática? Onde está a voz de Deus para a podermos seguir? Estará nalgum “infalível”? Estará nalgum alto dirigente com títulos mais ou menos pomposos?
Parece-me que a responsabilidade de falar em nome de Deus, de ser o fundamento deste edifício a que chamamos Igreja Presbiteriana, é demasiado grande para que a possamos relacionar com uma pessoa, por mais consagrada que seja, e nessa opinião não estamos sós, pois muitas outras igrejas genuinamente reformadas também têm a mesma opinião.
Pensava no assunto no meu gabinete de trabalho, quando por acaso resolvi ligar o gravador com uma cassete dum coro evangélico. Eram vozes masculinas e femininas, vozes mais agudas ou mais graves, vozes desencontradas que se complementavam e formavam um majestoso coral. Talvez fosse a resposta do Senhor.
As discussões, por vezes acaloradas, nos sínodos e nos conselhos das comunidades, com várias opiniões, por vezes desencontradas, por vezes contraditórias, são o que mais se assemelha à voz do Senhor que por vezes não temos sensibilidade para compreender, pois procuramos, ouvir somente algumas vozes, perdendo a visão do conjunto.
Se somos diferentes uns dos outros, graças a Deus pelas diferenças se estiverem ao serviço do Senhor, se formos ferramentas nas suas mãos. Um carpinteiro não poderá trabalhar com 100 serrotes ou 100 martelos. É melhor ter meia dúzia de ferramentas todas diferentes.
Não vamos transformar em simples blocos sem personalidade, as pedras a que o Espírito do Senhor deu forma, deu inteligência, deu uma nova personalidade e preparou para determinada finalidade na Sua Obra.
São pedras diferentes. São pedras vivas que o Senhor talhou, que o Senhor preparou para a sua obra. Talvez a preparação que o Senhor lhes deu tenha, começado há muitos anos, talvez mesmo antes da vossa conversão.
A minha oração ao Senhor e o apelo que vos deixo é que ocupem os vossos lugares como pedras vivas, no grande templo que o Senhor tem em construção. Que estejam conscientes de que foram preparados para determinada função na obra do Senhor.
Tudo o que somos, não só nos nossos conhecimentos teológicos, como na nossa preparação espiritual e intelectual, a experiência adquirida através dos tempos, faz parte da preparação que o Senhor nos concedeu. Fomos talhados pelo Senhor, para a construção do grande edifício que é a sua Igreja. Mas mais do que isso, somos todos peças únicas.
Sem a colaboração de cada um de nós, ficará um espaço vazio que poderá afectar a segurança do edifício. Um espaço vazio que só tu, meu irmão ou irmã, poderás preencher.
Que o Senhor desperte em cada um de nós o verdadeiro zelo pela sua Igreja.
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